Ferramenta na mão desde o primeiro dia
Ninguém aprende ourivesaria assistindo. A teoria entra junto com a peça, enquanto a peça está sendo feita.
Sobre
O Ramos Atelier existe desde 2013, mas o ofício que ele pratica é bem mais velho que isso. Veio de uma oficina de ourives do centro de São Paulo e atravessou uma geração inteira antes de virar escola.
Três tempos
01
Ginez Ramos trabalhava metal no centro de São Paulo quando ourivesaria ainda era assunto de oficina, não de vitrine. Ali se fundia, se laminava e se cravava com a ferramenta ao alcance da mão. Nada era documentado: o conhecimento passava por observação e correção, todo dia, na altura da bancada.
02
Luciano Ramos vinha da publicidade e voltou para a oficina do pai como aprendiz — na ordem certa, começando pela lima. Quando fundou o atelier, tomou uma decisão que a família nunca havia tomado: abrir a bancada para gente de fora. O que era herança virou curso.
03
Numa manhã comum o forno está aquecendo revestimento, alguém lixa um aro no primeiro curso e um casal solda as próprias alianças na bancada do fundo. Joalheiros formados alugam máquina por período. As três coisas acontecem a poucos passos umas das outras, e é assim que o lugar funciona.
Princípios
Quatro decisões de oficina que valem tanto para quem chega sem nunca ter tocado em metal quanto para quem já vive do ofício.
Ninguém aprende ourivesaria assistindo. A teoria entra junto com a peça, enquanto a peça está sendo feita.
Metal aceita recomeço. Uma solda mal feita se abre, se limpa e se refaz — e o aluno sai sabendo por que a primeira falhou.
Keum boo, esmaltação e gravação a buril existem há séculos e continuam resolvendo problemas de projeto que máquina nenhuma resolve.
A bancada não fecha quando o curso termina. Quem quer continuar produzindo encontra as máquinas onde deixou.
Convite
Não é preciso ter experiência com metal para começar, nem currículo de joalheria para alugar bancada. É preciso querer sujar a mão de limalha.